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Professor deve ser um profissional da aprendizagem, não do ensino 14/05/2019

Professor deve ser um profissional da aprendizagem, não do ensino

É fundamental investir no professor para dar conta dos desafios atuais da aprendizagem, que pedem um estudante autor, cientista, pesquisador. Segundo o doutor em Sociologia e professor titular da Universidade de Brasília Pedro Demo, há uma carência na formação do professor, e a universidade ignora esta lacuna, na pedagogia e na licenciatura. O especialista abordará o assunto no dia 25 de julho, no XV Congresso do Ensino Privado Gaúcho, com a palestra Autoridade do professor e aluno. 

Demo alega que as universidades fabricam um "profissional do ensino", não de "aprendizagem". "Professor conteudista tende a apenas repassar conteúdos, em geral uma tarefa enfadonha para ele e sobretudo para o estudante, em especial quando o estudante não consegue ver a utilidade. No entanto, nenhum outro fator é mais importante para a aprendizagem discente do que a colaboração maiêutica do docente que, sabendo aprender bem, cuida que o estudante aprenda bem", afirma. Para o especialista, o professor voltará a ser referência crucial quando ele se tornar um profissional da aprendizagem. Demo alega ser necessário o professor ser exemplo de aprendizagem autoral, saber pesquisar, elaborar, produzir textos científicos, ser perito em educação científica, ser leitor assíduo, se familiarizar com o mundo digital (textos multimodais), também para espalhar nos alunos o bom exemplo. "O professor é sempre a melhor solução. Não pode ser vítima de mudança, mas seu protagonista. Torna-se bem mais fácil para o estudante respeitar um professor que é seu melhor exemplo de aprendizagem autoral."

O professor é enfático quando questionado o que é preciso mudar na formação docente: "tudo". "A formação acadêmica é muito insuficiente, antiquada, reprodutiva, focada no início do século passado (nos "Tempos Modernos" de Chaplin), reduzindo o professor a mero repassador de conteúdo. Há que mudar a formação continuada, para não repetir as incongruências da universidade. Conhecimento não é pacote pronto (curricular), mas uma dinâmica de autorrenovação permanente, exigindo que nos reinventemos sempre. Nas escolas, como regra, não se inventa nada!"

O cuidado na formação de um estudante que assuma o protagonismo na sociedade/economia do conhecimento deveria começar na pré-escola. Para o professor, é importante aprender a pesquisar, produzir ciência, praticar autoria, ensaiar textos multimodais. É desta forma que será possível corresponder às habilidades deste século. Andar na contramão disso tudo pode significar um efeito colateral, além do não efetividade do aprender: manter o estudante como figura passiva condenada a escutar aula, engolir conteúdo, pode facilmente levar ao desestímulo que, por sua vez, pode desembocar em desrespeito. Demo assegura que quando o estudante gosta de aprender ou de estudar, a relação docente/discente é produtiva e recíproca. "O estudante acata o professor mais facilmente quando se envolve intrinsecamente com a aprendizagem." 

Desta forma, ele coloca que a melhor estratégia para cultivar o respeito recíproco é contar com a mediação docente capaz de motivar o estudante intrinsecamente, armando na escola ambientes instigantes de aprendizagem, nos quais existe o protagonismo estudantil à flor da pele. "Um exemplo são feiras de ciência ou de outro conteúdo curricular, que galvanizam o interesse estudantil, individual e/ou coletivamente, fazendo com que suas energias se concentrem na tarefa de pesquisa."