A escola numa encruzilhada - 2

Osvino Toillier Vice-presidente do SINEPE/RS
Eu guardo comigo uma das mais belas e poéticas definições de escola, formuladas pelo inesquecível Rubem Alves: "A missão da escola e do professor é ajudar a descobrir a beleza adormecida em cada ser humano e abrir as avenidas fundamentais dos sonhos".

Este pensamento que nos leva às alturas, deveria estar escrito na entrada de cada instituição educacional, porque não permitiria que tornasse refém de qualquer ideologia e se apequenasse diante de correntes pedagógicas e políticas.

Isto remete à autonomia, (eu não falei superioridade!) para refletir livremente sobre as diferenças, sempre preservada a identidade. Como eu tenho saudade da escola nosso tempo, em que diferentes correntes de pensamento circulavam! Ouvíamos pelo rádio inflamados discursos de líderes políticos e atravessamos fases turbulentas de nossa história, mas não nos tornamos reféns de ninguém.

Por isto, não gosto da ideia da "escola sem partido", porque a torna refém de ideologia, que é o contraponto da "escola livre", em que diferentes correntes de pensamento possam ser abordados, sempre sob a liderança do professor, sem que este faça da cátedra espaço de conversão ideológica.

Querer impedir que a escola faça a análise das correntes ideológicas é um equívoco e um retrocesso. O que não pode é converter o aluno a uma linha de pensamento, torná-lo refém das crenças do professor. O mandamento máximo é a liberdade de cátedra, com a liberdade de o aluno escolher.

Cada escola é espaço sagrado para a formação de consciências, a partir do livre arbítrio do aluno, como foi no nosso tempo. Este pressuposto esteve presente ao longo da minha vida como professor e diretor.

OSVINO TOILLIER - Mestre em Educação e Vice-Presidente do SINEPE/RS
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