O crescimento do ensino bilíngue no Brasil

Luciana de Souza Brentano Mestre em Letras, Especialista em Neurocognição e Aprendizagem, Especialista em Ensino e Aprendizagem de Línguas Estrangeiras, coordenadora do Currículo Bilíngue da IENH.
Não é mais novidade que as sociedades evoluíram, que as competências a serem ensinadas na escola modificaram-se e que a informação tornou-se mais acessível do que nunca. Estas transformações exigem dos profissionais da educação, uma formação diferenciada, com conhecimento muito mais aprofundado de como as crianças aprendem e quais as melhores práticas para ensiná-las.

Na mesma direção, o crescente interesse das famílias pela educação bilíngue tornou-se mais evidente, principalmente após o crescimento no número de estudos mostrado benefícios sociais e cognitivos no aprendizado de línguas na infância (Bialystok,2001; 2005; Barac e Bialystok, 2011; Kroll, Dussias, Bice e Perrotti, 2015, Bialystok, 2015; dentre outros). Com isso, o trabalho pedagógico frente a esses novos paradigmas tornou-se mais complexo. As evidências científicas sugerem que uma
Educação mais colaborativa, multilíngue e compatível com os cérebros da nova geração, torna-se urgente.

Como a Educação Bilíngue já é comprovada como uma proposta educacional alinhada às competências necessárias para o século 21, muitas escolas e muitos pais começam a buscar esse tipo de educação, o que justifica o aquecimento no mercado do ensino bilíngue.

No Brasil, a Educação Bilíngue não é novidade. Em São Paulo as escolas particulares já vêm oferecendo programas bilíngues há mais de 30 anos. Nos últimos anos, no Brasil todo, observa-se uma mudança de posicionamento: as escolas estão se tornando bilíngues ou comprando programas bilíngues de editoras, no intuito de atingirem as novas necessidades do mercado. Dados não oficiais já contabilizam mais de 500 escolas particulares, oferecendo currículo bilíngue ou programa bilíngue no Brasil.

Fora as iniciativas públicas que estão sendo fomentadas, como é o caso de Bombinhas, em Santa Catarina, que oferece a primeira escola pública de ensino bilíngue português- espanhol, com o objetivo de instrumentalizar suas crianças para uma demanda de mercado (https://g1.globo.com/sc/santa-catarina/noticia/2018/11/15/bombinhas-deve-ter-1a-escola-publica-integral-e-bilingue-de-sc.ghtml).

Se por um lado cresce a procura pelo ensino bilíngue, em contrapartida, ainda falta muito conhecimento sobre o que é educação bilíngue e como se constitui um currículo bilíngue de prestígio. Algumas escolas apenas introduziram ou aumentaram a carga horária de inglês, muitas vezes no contraturno escolar, desvinculando essas aulas do currículo regular da escola. Estes programas, dependendo da forma como estão organizados, apresentam-se frágeis em relação aos pressupostos necessários para a constituição de um currículo bilíngue bem estruturado.

Além dos currículos mal estruturados, faltam professores qualificados para esse novo currículo que exige habilidades e conhecimentos sobre bilinguismo, educação bilíngue e como ocorre o processamento cognitivo de um aluno que aprende e pensa em duas línguas.

Ainda é pequena a oferta de cursos de qualificação e formação continuada para professores que atuam ou desejam atuar neste novo segmento, levando em consideração a demanda atual. Um ramo muito promissor que vem crescendo é a oferta de especializações em Educação Bilíngue. São poucas as entidades que oferecem essa formação, principalmente pela falta de mestres e doutores com formação na área do bilinguismo e educação bilíngue, que possam atuar de forma qualificada nos cursos de pós-graduação pelo Brasil.

O curso de pós-graduação em Educação Bilíngue e Cognição da Faculdade IENH- Novo Hamburgo, percebendo essa necessidade de formação, começou a oferecer sua especialização em diversas cidades do Brasil. Assim, atendendo regiões com grande número de professores, diretores e coordenadores de escolas bilíngues (ou não), interessados em uma formação mais aprofundada sobre temas como bilinguismo, educação bilíngue, biletramento e o desenvolvimento do cérebro das crianças que aprendem desde cedo através das línguas.

O curso oferece disciplinas como: Bilinguismo e Educação Bilíngue, Aprendizagem e Processamento da informação, Neurociências e Aprendizagem, Bilinguismo e Cognição, Práticas de Letramento em contextos bilíngues/multilíngues, Aspectos cognitivos da alfabetização em duas línguas, Didática para o ensino bilíngue, Tecnologias Educacionais, entre outras. É uma formação muito consistente que não é direcionada apenas aos professores de línguas que trabalham em Currículo Bilíngue, mas para todas as pessoas que possam estar envolvidas, de uma forma ou de outra, com o ensino bilíngue: gestores, diretores, coordenadores, funcionários, pais, simpatizantes com o ensino bilíngue e estudantes que desejam se preparar para o mercado de trabalho, que está cada vez mais competitivo e buscando por profissionais com formação diferenciada.

Não é mais possível fazer Educação de qualidade sem profissionais bem formados e com conhecimento para atuarem de forma crítica e qualificada nas escolas do Brasil.
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