Catarina e a PEC paralela do Sr. Jereissati

Everton Augustin Professor e gestor escolar
Desde menininha, Catarina adorava brincar de ser professora. As suas bonecas -
presenteadas pela patroa da mãe - primas e amiguinhas de infância eram as alunas. O
jeitinho da professora Carmem, lá da escolinha municipal, a inspirava. Catarina não perdia
uma aula e a curiosidade aumentava à medida que os horizontes do seu mundo se
alargavam.

Essa brincadeira foi se tornando cada vez mais um sonho de profissão. Catarina sabia
muito bem: "Quero ser PROFESSORA!" A mãe e o pai não poupavam esforços para
apoiar o sonho da filha. A menina cresceu e ao fim do Ensino Fundamental, pediu que a
matriculassem em uma escola que forma professores, uma Escola Normal. Na mesma
cidadezinha de Catarina tinha uma de excelente renome, mas era particular e a família
não teria como pagar os estudos. Era, no entanto, aquela a escola em que a menina
queria seguir seus estudos. Catarina mesma foi buscar informações sobre matrícula e
descobriu que também jovens com dificuldades financeiras podiam estudar ali. Tinham
uma bolsa de estudos. Nem a mãe, nem o pai sabiam explicar corretamente o que era a
tal da filantropia. Ultimamente se falava bastante no assunto. Rádio, TV…

Catarina conseguiu reunir todos os documentos para a sua matrícula e teve que participar
de um processo de admissão, pois não havia bolsa de estudos para todos. As vagas eram
disputadíssimas. A obstinação e a dedicação de Catarina levaram-na a conquistar uma
vaga na tão sonhada escola. Serei PROFESSORA!

O hábito de leitura levava Catarina quase que diariamente à biblioteca de sua escola.
Naquele dia, uma matéria de capa a remeteu novamente à filantropia. Ela não entendeu
muito bem algumas expressões como PEC, previdência… A bibliotecária Ana ajudou-a
mais uma vez.

Era melhor não ter entendido aquele texto. O sonho de ser PROFESSORA estava
ameaçado. Não tinha escola pública com curso Normal na sua região.

E agora?

A história acima traz a realidade de muitos alunos de escolas particulares beneficiados,
em sua carência financeira, pela lei da filantropia. A narrativa relata a vida de gente de
verdade, dedicada, educada em valores que levam a perseverar, erguer-se sempre de
novo, a esforçar-se sem medida para realizar sonhos. Características assim são tão
necessárias a cidadãos com capacidade de melhorar o Brasil como integrante de um
planeta chamado Terra. De fictício no relato, apenas os nomes de Catarina e de seus
coadjuvantes.

Dados trazidos pelo Sindicato do Ensino Privado - SINEPE-RS - baseados em uma
pesquisa do FONIF - Fórum Nacional das Instituições Filantrópicas - podem ajudar a
esclarecer questões ligadas a entidades educacionais que, imunes por lei a pagarem ao
poder público a cota patronal do INSS, destinam o valor equivalente em bolsas de estudo
de 50% ou 100% a alunos carentes. Só no RS são mais de 100 mil estudantes
beneficiados pela lei da filantropia. No Brasil, a soma chega a 725 mil alunos.

Segundo a pesquisa "A contrapartida do setor filantrópico para o Brasil", encabeçada
pelo Fórum, esse setor educacional devolve ao Estado 4,67 vezes mais do que a
imunidade o isenta de contribuir. Há que se dizer que o ensino superior privado prepara
um jovem para o mercado de trabalho com um investimento 19 vezes menor que uma
universidade pública. O último dado é da própria Receita Federal.

Extinguir a filantropia para sanar o deficit da Previdência é falacioso. As entidades
filantrópicas deixam de colaborar somente com 1% do total arrecadado.

Apoiar este item da reforma da previdência é dar força à extinção de escolas que
contribuem de maneira diferenciada para a educação de qualidade na nossa pátria amada
Brasil.

Everton.Augustin - professor e gestor escolar
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