Capacitação e segurança preventiva são a chave para um ambiente escolar protegido e integrado
Especialista em segurança do SINEPE/RS, André Steren aponta caminhos para a construção de protocolos de segurança efetivos nesta volta às aulas
Investir na segurança dos estudantes e garantir o bem-estar da comunidade escolar são duas das principais preocupações das escolas privadas do Rio Grande do Sul para esse início do ano letivo. Além dos sistemas de videomonitoramento e dos mecanismos de controle de acesso, a integração entre as equipes é um dos pilares fundamentais para o planejamento estratégico de proteção nos espaços de aprendizado. Por essa razão, é fundamental que cada escola reserve um tempo nos primeiros meses do ano para alinhar os seus protocolos de segurança de acordo com a sua realidade.
Um ano após a publicação da Lei nº 15.100/2025, que restringiu o uso de celulares nas salas de aula, o especialista em segurança escolar do SINEPE/RS, André Steren, explica como vem ajudando instituições de ensino a desenvolverem sistemas de uso controlado dos dispositivos eletrônicos. Ele pontua que, inicialmente, muitas escolas interpretaram a nova lei de forma restritiva, banindo completamente o uso de celulares. No entanto, essa abordagem gerou problemas operacionais significativos, uma vez que o aparelho também é uma ferramenta essencial de comunicação e trabalho para muitos profissionais.
“As escolas estão criando zonas com proibição e permissão de celulares. Assim como numa época se proibiu o fumo dentro de casas noturnas e fizeram áreas reservadas para fumantes, as escolas também estão criando espaços específicos para o uso de celulares, como salas de reunião e determinadas áreas abertas”, diz Steren.
Profissionalização da segurança
Steren pontua que a segurança escolar é como um reflexo do DNA de cada instituição e das preocupações das famílias que a compõem. Ele acrescenta que a segurança deve ser tratada de forma profissional e diária por meio de um departamento específico, que seja responsável por estruturar métodos e rotinas que englobam o controle de acesso, o monitoramento constante, a gestão de entrada de fornecedores e a atuação de monitores internos. O objetivo é transformar a preocupação com a segurança em uma prática efetiva e organizada dentro do ambiente escolar.
Lições das cheias
O especialista comenta que as cheias que atingiram o Rio Grande do Sul em 2024 deixaram como legado uma série de aprendizados sobre protocolos de segurança. Ele ressalta que um protocolo eficiente não se limita a descrever a ação, mas deve, obrigatoriamente, designar responsáveis claros para cada tarefa. Sem essa definição de funções, a cobrança e a execução tornam-se impossíveis em momentos de crise.
Isso vale para diversas situações de emergência. “Imagine que, na recepção de uma escola, tem um avô de aluno que passa mal e desmaia. Qual é o protocolo? Chamar a ambulância? Chamar o ambulatório? Ajudar e trazer uma cadeira de rodas? Chamar um professor? É um incidente tão simples, mas ele pode gerar uma série de dúvidas. É preciso saber exatamente o que fazer nesses casos”, exemplifica Steren.
Capacitação e integração de equipes
O especialista afirma que capacitações da equipe técnica podem ajudar a consolidar uma cultura de prevenção entre os colaboradores. Para Steren, a integração entre as diferentes equipes da escola é essencial para evitar que os setores funcionem como “ilhas”, ou seja, isolados. Segundo ele, a capacitação profissional é uma ferramenta de entrosamento, a qual permite que os colaboradores troquem ideias e saibam como colaborar em caso de problemas.
“Nenhuma escola funciona bem se as equipes não estão integradas”, ressalta.
Controle de acesso
De acordo com Steren, o controle de acesso automatizado por meio de sistemas de videomonitoramento, além de garantir a segurança e proteção da escola, também cumpre uma função social importante: reduz o conflito direto entre funcionários (porteiros/vigilantes) e o público, pois o sistema registra horários de entrada e saída de estudantes, evitando discussões. Isso melhora a experiência geral no ambiente escolar e garante que o atendimento seja diferenciado e focado na proteção.
“Muitas vezes, o pai recebe a informação da escola de que o aluno entrou em tal horário e as câmeras registram isso. É muito difícil para um porteiro ou para um vigilante ter que barrar alguém”, sublinha.
Proteção no entorno
A segurança de uma escola não termina em seus muros. O entorno e o relacionamento com a vizinhança e órgãos públicos são igualmente cruciais, afirma Steren. Qualquer incidente nas ruas adjacentes impacta a percepção de segurança das famílias. Portanto, manter um diálogo técnico e respeitoso com as autoridades públicas e monitorar o bairro são ações estratégicas cruciais para uma convivência saudável.
Enfrentamento da violência
Para antever e coibir eventuais situações de violência que possam vir a ocorrer no âmbito escolar é preciso que haja uma simbiose entre a segurança e o setor pedagógico. Steren afirma que, caso a equipe de segurança identifique comportamentos atípicos ou atitudes suspeitas, estes podem servir de base informativa para que os educadores intervenham preventivamente na saúde mental e emocional dos alunos. Da mesma forma, o núcleo pedagógico pode alertar a segurança sobre mudanças de comportamento observadas em sala de aula, permitindo um acompanhamento técnico e sem rótulos.
Uso do uniforme
André Steren comenta que o uso do uniforme é um elemento multifuncional, pois serve como ferramenta de comunicação visual, promove o sentimento de pertencimento e facilita o controle de acesso e a segurança em saídas de estudo ou passeios externos. Ele alerta que, com o uniforme, monitores conseguem identificar rapidamente o grupo, prevenindo dispersões e garantindo a integridade dos alunos fora do ambiente escolar.
Combate ao bullying
O monitoramento por câmeras e a presença física de equipes de apoio durante intervalos e atividades extras geram uma sensação de tranquilidade e inibem incidentes. Essa fiscalização é essencial para identificar a linha tênue entre brincadeiras e bullying, permitindo que a escola atue na raiz do problema.
Foco na prevenção
O especialista conclui fazendo um apelo para que os diretores escolares invistam na segurança preventiva em vez de buscarem soluções apenas quando um incidente já ocorreu.
“Existem muitos métodos que não envolvem dinheiro, nem grandes investimentos caros, mas apenas organização. Gostaria que os diretores realmente olhassem a segurança escolar como uma prioridade e que investissem mais tempo nessa demanda. É um desejo de todas as famílias que o ambiente escolar seja seguro. Então, não deixem para depois. Façam, enquanto é tempo, com que todas as equipes da escola estejam preparadas”, finaliza André Steren.
Consultoria em segurança do SINEPE/RS
Escolas associadas ao Sindicato podem aproveitar a consultoria de segurança gratuita, com atendimento personalizado e visita às escolas, feita pelo especialista em segurança escolar. Mais informações pelo contato: seguranca@sinepe-rs.org.br
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