Especialistas analisam cenários para as matrículas em 2026 em live
No encontro, foram debatidos os impactos do cenário econômico atual e questões jurídicas e pedagógicas no planejamento das instituições de ensino para o próximo ano
O aumento de custos com inclusão, segurança e o novo Ensino Médio, somado aos efeitos do tarifaço norte-americano sobre a economia brasileira, deve pressionar as mensalidades das escolas privadas em 2026. O alerta foi feito por especialistas durante uma live promovida pelo SINEPE/RS, que também discutiu os desafios para manter professores e planejar o próximo ciclo de matrículas diante de um cenário inflacionário específico para o setor.
O encontro foi transmitido ao vivo pela plataforma SINEPE Play na última terça-feira (26), exclusivo para associados, com mediação do presidente da entidade, Oswaldo Dalpiaz. Participaram também o economista-chefe da FIERGS, Giovani Baggio, o consultor empresarial Iron Müller e o coordenador da assessoria jurídica do sindicato, Jorge Müller.
Segundo Baggio, o Rio Grande do Sul tem uma ligação muito forte com o mercado dos Estados Unidos, o que torna a situação dos gaúchos ainda mais complexa diante do cenário. Para ele, a busca de novos mercados deve acontecer, mas os impactos na inflação brasileira serão positivos. “A classe média é a que mais deve sofrer com esse tarifaço, mas não será algo catastrófico. Porém, haverá dificuldade para algumas famílias manterem os valores das mensalidades”, aponta o economista.
Iron Müller destacou as mudanças legislativas que dizem respeito à inclusão nas escolas privadas e seus reflexos nos custos das instituições, especialmente para a contratação e capacitação de profissionais para atendimento dos alunos da educação especial.
“A inclusão está trazendo novos custos reais acima da inflação geral, assim como as despesas para a implementação do novíssimo Ensino Médio”, indica o especialista.
A questão da inclusão também foi destacada por Jorge Müller, que trouxe exemplos de países como a Itália, onde há um modelo diverso do que está sendo implementado no Brasil. Para o advogado, as escolas precisam construir projeções não apenas para os custos imediatos de funcionamento.
“É preciso pensar a médio e longo prazo tendo em vista uma tendência de aumento contínuo de custos em razão desse esforço para a capacitação de pessoal”, avalia Müller.
Dentro do cenário econômico que se apresenta para os próximos meses, Iron orienta que cada escola olhe para a sua realidade sabendo que irá enfrentar um índice próprio de inflação, que é construído de acordo com as suas necessidades. “O SINEPE/RS se preocupa em dar um norte de valores para as escolas, pois sabe que um erro de cálculo pode significar a inviabilidade das atividades”, ressalta Iron.
A segurança e a contratação de professores também foram temas trazidos pelos participantes da live. Para Jorge Müller, é um desafio extra para as escolas manter e também contratar novos profissionais, além do alto valor dos investimentos em tecnologia e segurança, que passam também pelo setor jurídico da escola. “É preciso um contrato bem montado e que fuja de generalidades, sempre preservando a autonomia da escola”, esclarece o assessor jurídico.
Assista na íntegra a live sobre matrículas no SINEPE Play. (categoria Gestão, série “Matrículas 2026”). Importante: o conteúdo é exclusivo para associados, portanto, é necessário que o cadastro do usuário na plataforma informe o CNPJ da instituição associada.