PeNSE 2024 oferece subsídios para fortalecer ações de cuidado e prevenção nas escolas
Levantamento reúne indicadores sobre saúde mental, bullying, organização familiar, imagem corporal e outros aspectos da vida dos adolescentes
Os resultados da quinta edição da Pesquisa Nacional de Saúde do Escolar (PeNSE), realizada em 2024, oferecem um panorama sobre a realidade dos estudantes e podem auxiliar as escolas particulares no planejamento de ações voltadas ao desenvolvimento integral dos alunos
Realizado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o estudo abordou temas como saúde mental, bullying, organização familiar, uso de álcool e outras drogas, atividade física e imagem corporal. Ele forneceu informações que contribuem para a construção de ambientes escolares cada vez mais acolhedores e preparados para os desafios da adolescência.
Para o responsável pela Seção de Pesquisas Sociais (SPS) da Superintendência Estadual do IBGE no Rio Grande do Sul, Marcelo Larratea, a pesquisa representa uma importante ferramenta para subsidiar tanto políticas públicas quanto o planejamento das instituições de ensino. “A pesquisa é muito importante, pois os dados são anonimizados e ela é feita com todos os preceitos éticos possíveis, porque estamos lidando com um público sensível”, destaca.
Indicadores da pesquisa
Entre os resultados, a saúde mental aparece como um dos principais temas de atenção. Embora quatro dos seis indicadores avaliados tenham apresentado melhora em relação à edição anterior, os níveis de sofrimento emocional entre adolescentes continuam elevados. Segundo Larratea, esses indicadores merecem cuidado das instituições de ensino. “Os jovens dessa faixa etária, de 13 a 17 anos, estão muito expostos à ansiedade, ao estresse cotidiano e a questões vinculadas à saúde mental e ao sofrimento psíquico”, explica.
No ensino privado, um dos destaques é a insatisfação com a imagem corporal: 33,6% dos estudantes afirmam não estar satisfeitos com o próprio corpo. A pesquisa também mostra que 61,9% dos estudantes da rede privada relatam preocupação frequente com tarefas escolares e outras situações do cotidiano.
A PeNSE também reúne informações que ajudam as escolas a compreender o contexto social em que os estudantes estão inseridos. No recorte da organização familiar, por exemplo, a pesquisa mostra que a rede privada apresenta um perfil distinto do restante do país: 69,5% dos estudantes vivem com pai e mãe, percentual superior ao observado na rede pública. Ao mesmo tempo, os dados revelam uma transformação gradual nos arranjos familiares brasileiros, reforçando a importância de práticas de acolhimento que contemplem diferentes configurações familiares.
Outro indicador relevante envolve o bullying. Na Região Sul, 24,9% dos estudantes da rede privada relatam já ter sofrido esse tipo de violência. Embora o percentual esteja abaixo da média nacional, o resultado demonstra que o tema permanece presente no cotidiano escolar e exige ações permanentes de prevenção, mediação de conflitos e fortalecimento das competências socioemocionais.
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Entre os destaques da pesquisa para o Rio Grande do Sul, Marcelo Larratea chama atenção para um comportamento recorrente. "Em todas as edições do PeNSE, a gente tem uma prevalência de certos comportamentos de risco, como o consumo de substâncias lícitas e ilícitas", ressalta.
Segundo a pesquisa, 65,9% dos adolescentes gaúchos afirmaram já ter experimentado álcool ou drogas, percentual ainda mais elevado entre as meninas. Ao mesmo tempo, Larratea destaca que o Estado apresenta indicadores positivos em outros aspectos, como um dos menores índices de gravidez na adolescência do país e melhora em alguns indicadores relacionados à saúde mental em comparação com as edições anteriores.
Informações ajudam a transformar dados em estratégias
Além de produzir informações fundamentais para o acompanhamento da saúde e do bem-estar dos adolescentes, a pesquisa construiu uma série histórica iniciada em 2009, permitindo acompanhar mudanças ao longo do tempo. Isso oferece subsídios para que gestores públicos e instituições de ensino desenvolvam ações cada vez mais alinhadas às necessidades dos estudantes.
Os resultados permitem que as escolas privadas utilizem evidências para fortalecer o planejamento institucional e pedagógico. Entre as possibilidades apontadas pelas análises do levantamento estão a ampliação de programas de promoção da saúde mental, o desenvolvimento das competências socioemocionais, ações sobre autoestima e imagem corporal, iniciativas permanentes de prevenção ao bullying, orientação às famílias e estratégias de prevenção ao uso de álcool e outras drogas.
Ao integrar essas ações ao projeto pedagógico, as instituições fortalecem fatores de proteção e contribuem para um ambiente escolar mais seguro, acolhedor e favorável ao desenvolvimento dos estudantes.
De acordo com Larratea, a experiência de aplicação da pesquisa nas escolas brasileiras tem sido positiva desde sua primeira edição. "A PeNSE é feita com parâmetros internacionais de qualidade e confidencialidade, e a experiência com a pesquisa sempre foi muito bem-sucedida. Ao participarem da pesquisa, as escolas e a sociedade só têm a ganhar – e a comunidade escolar também”, conclui.
Clique aqui e acesse os dados da pesquisa
https://biblioteca.ibge.gov.br/visualizacao/livros/liv102266.pdf